24 de maio de 2018

Apresentação do e-Book “Cinema Português (1896-1980)”

No próximo Domingo,  dia 27 de Maio,  o terceiro e-Book, intitulado "Cinema Português (1896-1980)", com 137 páginas e 321 ilustrações e editado por José Leite, será publicado pelo blog "Restos de Colecção". A exemplo dos dois anteriores, poderá ser consultado e baixado em PDF, gratuitamente.

Tinha anteriormente anunciado que o próximo e-Book a ser publicado, seria o “Hotéis de Lisboa (1845-1972), mas decidi antecipar a publicação deste para completar a ideia que norteou a edição do “Cinemas de Lisboa (1896-2011), publicado no passado dia 2 de Abril.

Vídeo de apresentação (clicar no botão reproduzir)


  

Este e-Book “Cinema Português (1896-1980)”, não pretende ser um estudo aprofundado do tema, mas sim, e acima de tudo, disponibilizar cartazes, folhetos, publicações, capas de partituras de músicas para filmes portugueses, etc … além de algumas histórias ilustradas de produtoras e distribuidoras de filmes, etc. e a vida e obra daquele que muitos consideram o “pai” do Cinema português, António Lopes Ribeiro.

Com as características deste e-Book, e do anterior, outros serão disponibilizados futuramente. O próximo a ser publicado será o "Hotéis de Lisboa" (1845-1972), ao que se seguirá outro intitulado "Cafés e Pastelarias de Lisboa".

Apresentação dos e-Books já editados e dos que serão editados e publicados futuramente (clicar no botão reproduzir)


Aproveito para relembrar das alterações efectuadas na barra de menús deste blog. Assim, o ítem “Artigos Actualizados” passou para o ítem “Índices e Actualizações”, e foi criado o ítem “e-Books Restos de Colecção”, onde pode aceder às páginas de cada e-Book já lançado, com os respectivos links para consulta e download dos mesmos. Também pode obter informação acerca de lançamentos efectuados, e futuros, em “Vídeo de Apresentação (e-Books)”, no mesmo menú.

22 de maio de 2018

Julio Gomes Ferreira & C.ª

A casa "Julio Gomes Ferreira & C.ª, Limitada", foi fundada na Rua Áurea, em 1832, por Julio Gomes Ferreira. Especializada em instalações eléctricas, canalizações de água, aquecimento, equipamentos e acessórios sanitários, eléctricos e para gás, fogões, elevadores, etc., foi das casas mais importantes do seu ramo, em Lisboa, nos finais do século XIX e primeiras décadas do século XX, senão a mais importante.

A loja da "Julio Gomes Ferreira & C.ª, Limitada", na Rua Áurea no centro da foto. à direita a casa “Franco Gravador”

Entrada e uma das duas montras da loja

 

1907

Além da venda a retalho, possuindo para isso duas lojas, uma na Rua do Ouro e outra na Rua da Victoria, e com oficinas na Rua de S. Thiago, foi responsável pelas instalações eléctricas, de aquecimento, sanitárias e canalizações de água em obras de referência na cidade de Lisboa como: “Palacete Silva Graça”, na Avenida Fontes Pereira de Melo; “Palacete Henrique de Mendonça” na Rua Marquês de Fronteira; sede do “Banco Lisboa & Açores”, na Rua Áurea; “Casa Malhoa”, actual “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves”, na actual Avenida 5 de Outubro, etc ...

Interior da loja

 

                                             1905                                                                                          1909

 

1910

 

Stand de exposição

 

Acerca do seu percurso pouco consegui saber além do que escrevi atrás, não sabendo quando encerrou definitivamente, mas creio que no início dos anos 60 do século XX, ainda existia a sua loja da Rua do Ouro. Ficam publicadas as fotos e anúncios publicitários que resumem toda a sua actividade ao longo de décadas.

                                              1927                                                                                         1944

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Municipal de Lisboa

20 de maio de 2018

Filmes Castello Lopes

A empresa produtora e distribuidora de filmes “Filmes Castello Lopes”, foi fundada por José Martins Castello Lopes, em 1916 como “Castello Lopes, Lda.” e continuada por seus filhos José Manuel Castello Lopes e o fotógrafo Gerard Castello Lopes.

José Martins Castello Lopes (1880-?)

A história da distribuidora “Filmes Castello Lopes”, tem início quando, José Martins Castello Lopes viu no espaço do, então, Teatro da Rua dos Condes - convertido com insucesso, em cinema pela mão da “Empreza Salão Olympia” em 30 de Janeiro de 1915 - uma oportunidade a aproveitar. E, a 5 de Fevereiro de 1916, deu início à exploração do espaço pela empresa recém criada “Castello Lopes, Limitada.” passando, desde então, a utilizar a designação oficial de “Cinema Condes”, tendo mandado pendurar sobre o ferro forjado das varandas dos primeiro andar dois letreiros com a nova designação.

Antigo “Teatro da Rua dos Condes” (novo), já convertido definitivamente em Cinema

Para ilustrar este artigo, e para ser o mais fiel possível, socorri-me de uma entrevista efectuada por João Bénard da Costa e José Manuel Costa, - ambos seriam Diretores da “Cinemateca Portuguesa” - aos irmãos José Manuel e Gerard Castello Lopes, para o catálogo “70 anos de Filmes Castello Lopes”, editado pela “Cinemateca” em 1986, e da qual reproduzo alguns excertos.

O fundador da “Filmes Castello Lopes”, José Martins Castello Lopes «era guarda-livros e foi por via da contabilidade que ele se começou a interessar pelo negócio do cinema. (…) segundo palavras de seu filho Gerard que continua …

«É fundamental notar que durante toda a sua vida o meu pai foi essencialmente um exibidor. Alguém que gostava de descobrir e preencher as necessidades do público. Ia diariamente às salas e deixava-se ficar tempos infinitos a «sentir» o público, a perceber as suas reacções. Esse foi um dos aspectos mais curiosos da sua personalidade e foi uma das coisas que aprendi com ele. Saber sentir o público, aquilo a que eu chamo «cheirar» o público. O que me aconteceu durante anos: passar as portas de acesso e de imediato, pelo ar que vem lá de dentro, saber que afluência de público tem a sala.»

1923

1925 

A “Castello Lopes, Lda.”, mudaria de designação, para “Filmes Castello Lopes, S.A.”, em 1934, e que se tornaria definitivo.

Segundo afirma João Bénard da Costa, José Castello Lopes terá sido accionista da “Tobis Portuguesa” referindo, a propósito: «Numa entrevista refere-se a sua participação na produção, afirmando-se que ele era um dos principais accionistas da Tobis, em 1939. Cito: «Quem conheça toda a contribuição prestada por V. Exa. ao cinema nacional, contribuição monetária para a realização dos primeiros filmes e para a organização da Tobis Portuguesa da qual é ainda hoje um dos maiores accionistas...»

                                             1932                                                                                          1934

        

1941

        

Quanto ao início da actividade de José Manuel Castello Lopes, filho do fundador José Martins Castello-Lopes, este recorda:

«Em 1955 e sempre em grandes disputas com o meu pai. Comecei no Condes, para saber como funcionava um cinema. Com excepção da cabine de projecção, corri tudo, porque realmente a minha paixão era o «show business»! A primeira coisa importante que aprendi foi que o nosso gosto tem muitas vezes pouco a ver com o gosto do público. As cenas que, em certos filmes, eu teria vontade de suprimir, por parecerem ridículas, acabavam por ser as que mais gargalhadas despertavam e as que com mais entusiasmo eram recebidas.

Há várias formas de se estudar o gosto do público. Uma delas é passar, como eu passei, muitas sessões, de costas viradas para o écran, a olhar as pessoas. Conhecia bem os filmes, evidentemente, e sabia a que fases é que estavam a reagir. Descobre-se, afinal, que o gosto do público tem facetas muito nítidas. Se um filme não agrada até aos 15 ou 20 minutos, está duma maneira geral morto. E esse o tempo que o público dá a um filme para mostrar o que vale. Raramente um filme chega a salvar-se se os primeiros 20 minutos não valerem. Depois de uma má primeira parte, e ainda por cima com o intervalo, há um fenómeno de rejeição que pode ser inconsciente.»

O emblema da águia, adoptado pela empresa - águia talvez porque «o Virgílio Costa, que era o gerente do Condes, fosse militar, a águia tinha, na altura, uma conotação de importância» - foi introduzido em 1940, quando era distribuidor da americana “Columbia Pictures”, com a mesma música actual depois de «retrabalhada».

Homenagem a José Martins Castello Lopes (4º sentado a contar da direita para a esquerda), no Cinema “Condes”

José Manuel Castello Lopes recorda o início da sua actividade com o seu irmão Gerard:

«No fim dos anos cinquenta o meu irmão e eu demos, de facto, a volta à organização. Começámos pelo cinema. Equipámo-lo com cinemascope. Deitar abaixo tudo o que havia de concepção de teatro no Condes, de modo a só haver lugares de frente, para que o écran pudesse ir de parede a parede. Eram coisas muito caras e o meu pai não sabia se valia a pena. Alteramos a política de compras, diversificando, fazendo uma penetração mais agressiva no mercado. 1964 foi um ano muito importante para nós, porque passámos a distribuir a Metro-Goldwyn-Mayer, que se separou da Fox e passou para os nossos escritórios.

A Fox fechou em 1972 e passou a ser distribuída por nós. Em 69 fechou a Paramount e a Universal era já distribuída pela Lusomundo. A Paramount fechou e juntou-se à Universal na Lusomundo, formando a CIC. A RKO desapareceu. A Warner juntou-se à Columbia nos anos 70 e em vários países do mundo têm escritórios em comum. Uniram-se por uma questão de economia e são os únicos que mantêm escritório independente em Portugal.

Em 1967 o Condes fecha para obras no Verão, e instala-se, depois de grandes transformações no seu interior, o sistema de projecção de 70 mm e do som estereofónico. A mais moderna aparelhagem da Philips.
Uma semana depois de abrir, durante a noite, o recheio arde completamente! Presumiu-se como causa do acidente uma ponta de cigarro...
E todo o mundo se atirou com unhas e dentes à tarefa de reabrir o Condes... em 38 dias! Um enorme cartaz na fachada indicava dia a dia quantos dias faltavam para abrir... Uma nova forma de suspense para um público que apostava na data da reabertura.
E em 1968 o Condes apresenta pela primeira vez em Portugal “E Tudo o Vento Levou” na sua versão de 70 mm. Um momento muito alto na história deste cinema.»

Sala do “Condes” após o incêncio

Quanto ao aparecimento de novas salas de cinema a partir de 1940 José Manuel Castello Lopes recordava nesta entrevista:

«Houve um novo ressurgimento que não mais parou. Inauguramos o Londres em 1971, já estávamos a programar o Rivoli no Porto e a partir de 1980 fizemos uma expansão para sectores importantes da província como Setúbal, Cascais, Viseu, etc. Pensamos continuar uma política de salas a abrir nos lugares mais credenciados, com características modernas e com um conforto que seja atraente para o público.
Sabe que até há poucos anos funcionava uma Comissão Reguladora de Construção de cinemas que vetava as novas construções mediante critérios algumas vezes incompreensíveis. Não autorizava a construção de salas em edifícios com outros fins, o que significava que se tinha de construir um prédio inteiro.
Por isso é que se construiu o Monumental, o Império, o S. Jorge e o Condes (na reconstrução de 51). Era antieconómico fazer cinemas em Portugal. A legislação era anti-económica e anti-cinema. Apesar dos filmes já não arderem.»

Irmãos Gerard e José Manuel Castello Lopes

Lembro que, José Manuel Castello Lopes, além de trer sido fundador do Cinema “Londres”, chegou a ser co-produtor de um filme que se tornaria um clássico da nossa cinematografia, “O Fado, História de uma Cantadeira”, realizado em 1947 por Perdigão Queiroga, com Amália Rodrigues, Virgílio Teixeira e Vasco Santana no elenco.

Depois de Gerard Castello Lopes (1925-2011), foi José Manuel Castello Lopes (1931-2017) a deixar-nos.

Acerca desta personagem incontornável na história do Cinema em Portugal, pode-se ler no site oficial da “Cinemateca Portuguesa” o seguinte:

«José Manuel Castello Lopes foi um dos mais importantes Distribuidores e Exibidores de cinema em Portugal, deixando marca decisiva na cultura cinematográfica do país. A sua influência nesta cultura exerceu-se ainda de outra maneira, uma vez que foi também um dos que mais cedo compreendeu a responsabilidade da indústria distribuidora na própria salvaguarda do património, lutando contra a destruição de cópias após a exploração comercial das mesmas, e, sempre que lhe foi possível, obtendo o acordo dos Produtores para o depósito de pelo menos uma cópia de cada título na Cinemateca.»

Quanto à “Filmes Castello Lopes”, viria a ser criada a “Socorama - Castello Lopes Cinemas, S.A.”. Entretanto, entre Janeiro e Fevereiro de 2013 fechou todas as suas salas de cinema, primeiro por não chegar a acordo para a continuidade da exploração dos espaços com a Sonae, onde tinha 49 salas, e posteriormente por falta de recursos e por dívidas que levaram a requerer a insolvência a 12 de Fevereiro de 2013.  Actualmente, a “Castello Lopes Cinemas, S.A.” reabriu algumas das suas antigas salas de cinema.

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Horácio Novais), Hemeroteca Municipal de Lisboa, Cinemateca Portuguesa

17 de maio de 2018

Self-Service e Snack-Bar “Noite e Dia”

O Restaurante Self-Service e Snack-Bar "Noite e Dia", localizado na Avenida Duque de Loulé, em Lisboa, e projectado pela dupla de arquitectos Victor Palla e Bento de Almeida, foi inaugurado Outubro de 1965. Não sendo o primeiro self-service a aparecer em Lisboa, foi dos mais importantes da sua época, e incluía um snack-bar na cave.

Arquitectos Victor Palla e Bento d’Almeida

 

Artigo publicado na revista "Banquete" de 5 de Novembro de 1965

Passo a transcrever um pequeno excerto dum artigo publicado no jornal "Diario de Lisbôa" de 3 de Novembro de 1969:

«... Um desses «snack-bars» triunfantes, com muita gente a mastigar lá dentro, é o Noite e Dia, na Avenida Duque de Loulé. Trata-se do único estabelecimento do género com «self-service», e, de acordo com as palavras do encarregado, são servidas por dia cerca de 1.200 refeições.
-Servidas ...?
Ele riu-se:
-Tem razão. São os clientes que levam os tabuleiros para as mesas ... Mil e duzentas pessoas, todos os dias, pegam nos tabuleiros. Isto no Self. No Snack propriamente dito temos, por dia, uma clientela de quinhentas pessoas.
Este Noite e Dia ainda foi mais longe ao ataque aos estômagos vazios: tem um serviço especial de refeições ao domicílio. Uma embalagem de plástico - e pronto: o cliente leva para casa com que guarnecer os pratos.

 

- Em relação a qualquer restaurante, faz-se presentemente num «snack» bem apetrechado muito mais dinheiro. Vende-se o dobro, sabe? A vida é outra, exige mais rapidez em tudo. O cliente já não tem paciência para estar meia-hora à espera que o sirvam. Chega - e quer comer. Quer ficar ainda com tempo para dar uma volta pela cidade.
(...) efectivamente, os preços, de uma maneira geral, são muito acessíveis: 25$00 é o preço médio de uma óptima refeição. Claro que há muita gente ainda, de temperamento comilão, que se não satisfaz com o «snack». Exige a «pratalhada», com muito vinho e um magnífico arroto no final. Essa gente, porém, pertence a uma outra geração, uma geração de digestão difícil, engravatada, que não raro ata um guardanapo no pescoço por causa das nódoas e dos perdigotos.
Em suma: uma outra geração, a nova, justifica a existência e a inauguração constante de «snack-bars». O «snack-bar» está dentro do futuro.»

30 de Novembro de 1977

No início dos anos 80, o “Noite e Dia” encerraria em definitivo, e nas suas instalações seria criado o night-club ”Casa de Simone”, que ao longo dos anos mudaria de designação, mas sempre na mesma área de negócio - actualmente “Gallery”. Na mesma altura, era criado pelo fundador da revista “Gaiola Aberta”, o designer José Vilhena, e no prédio contíguo a Norte, o night-club “Night and Day”.

Foto actual do exterior do antigo “Noite e Dia”, a partir do “Google Maps”

fotos: Arquivo Municipal de Lisboa, Ilustração Portuguesa

14 de maio de 2018

e-Book “Teatros de Lisboa (1591-1976)”

Informo os estimados leitores, seguidores e amigos que, a partir de hoje, já está disponível gratuitamente, o segundo e-Book, editado por José Leite e publicado pelo "Restos de Colecção", intitulado "Teatros de Lisboa (1591-1976)", com 186 páginas contendo 314 fotos e documentos.

 

                                      Consultar                                                                                 Baixar em PDF (73 MB)

            Consultar                                           Capa (PDF)

Vídeo de apresentação


Com as características deste e-Book, e do anterior, outros serão disponibilizados futuramente. O próximo a ser publicado será o "Hotéis de Lisboa" (1845-1972), ao que se seguirá outro intitulado "Cafés e Pastelarias de Lisboa".

Vídeo de apresentação dos e-Books já editados e dos a serem editados e publicados futuramente


Aproveito para, informar das alterações efectuadas na barra de menús deste blog. Assim, o ítem “Artigos Actualizados” passou para o ítem “Índices e Actualizações”, e foi criado o ítem “e-Books Restos de Colecção”, onde pode aceder às páginas de cada e-Book já lançado, com os respectivos links para consulta e download dos mesmos. Também pode obter informação acerca de lançamentos futuros.

10 de maio de 2018

Hotel Costa em Sintra

O “Grand Hotel Costa”, localizado no Largo da Rainha D. Amelia, na Vila de Sintra, e propriedade de José Pedro Costa terá aberto entre 1890 e 1907, já que até 1890 não encontrei nenhuma referência ao mesmo, tendo encontrado só em 1907.

“Grand Hotel Costa” em foto de 1921

Em 1890 existiam na Vila de Sintra os seguintes hotéis: Hotel Victor”, “Hotel de l'Europe”, “Hotel Durand”, “Hotel Braz”, “Hotel Nunes”, “Hotel Netto”, “Hotel Garcia”, “Hotel Sant’Anna”, "Lawrence's Hotel" e o "Hotel François", em S.Pedro de Sintra.

“A Handbook for Travellers in Portugal (John Murray) 1864        “A Handbook for Travellers in Portugal (A C Smith) 1875

  1864 A Handbook for Travellers in Portugal (John Murray)       1875 A Handbook for Travellers in Portugal (A C Smith)

Almoço dos sargentos da Escola Pratica de Infantaria de Mafra, no “Grand Hotel Costa” em 21 de Julho de 1913

1907

No livro “Lisbon and Cintra : with some account of other cities and historical sites in Portugal”, de Inchbold, A. Cunneck, de 1907, pode-se ler (depois de traduzido para português) :

«O imponente Hotel Costa sombreado por árvores altas, de frente para a antiga praça do mercado no centro da Vila, servia de residência privada a uma Dama portuguesa de gostos literários, que utilizava o salão, frequentado pela sociedade exclusiva das quintas históricas e dos escritores eleitos.
Nas noites de Inverno, ao observar as chamas duma lareira no salão elevado do mesmo hotel, muitas vezes me questionei se esses velhos intelectuais não pretenderiam, talvez, serem um leve reflexo daquelas afamadas noites alegres da era Manuelina que tinham lugar no Palácio.
Aquelas noites reconhecidas pelas suas exibições geniais de inteligência cintilante e alegria, onde Gil Vicente, o iniciador  do teatro português, ensaiou os seus dramas, e sua filha Paula tocava música doce, Bernardim Ribeiro recitava suas letras de amor às damas da assistência, um emulando o outro, improvisando o diálogo em verso; aquelas noites às quais Sá de Miranda - o pai de poesia portuguesa - se referia quando se retirou da sua vida em Lisboa e Cintra para a sua frondosa quinta no Minho.»

Publicidade em 1913, ao “Hotel Cintrense” visível nestes dois postais

Depois de ter sido fundado por José Pedro Costa, a propriedade do “Hotel Costa” passou para uma senhora ingleza, cujo nome não consegui saber. Em 1921, é adquirido pela empresa “Barreiros, Lda.”, que promove obras de remodelação e conservação. A revista “Illustração Portugueza” nº 808, de 1921, descrevia assim o “Grand Hotel Costa” renovado:

«A sua entrada, ampla e ridente, serve á esquerda uma sala de visitas, luxuosamente mobilada em Luis XV. Á direita ficam o escritorio e varios quartos de dormir.
No segundo andar estadeia-se a espaçosissima sala de jantar, onde, bem á vontade, cabem cem pessoas. Ladeando-a, fica um terraço, para comer ao ar livre. Ao fundo ha uma casa que serve de copa e de auxilio ao serviço da cosinha, sendo está situada no ré-do-chão. O serviço culinario é transportado por dois elevadores.
No terceiro andar ha muitos quartos, magnificamente mobilados, com excelente cubagem. O ar de Colares e da Praia das Maçãs inunda-os de deliciosa frescura. De todos os pontos do belo edificio o horisonte que se disfruta é sempre um rincão maravilhoso da paisagem sintrense, cujos admiradores em todas as visitas, permanencias e vilegiaturas não esquecem o acolhimento gentilissimo e o serviço superior que sempre - e agora mais do que nunca - lhes são proporcionados no Grand Hotel Costa, desvanecido titulo de orgulho na industria do turismo em Portuga.»

 

                                        1928                                                                                            1933

            

1933

1940

Mais tarde, em 1928, já era anunciada a passagem da sua propriedade e gerência para novos donos, que no ano seguinte reduzem o nome para “Hotel Central”. Mas não ficariam por muitos anos, já que em 5 de Fevereiro de 1932, era anunciada a reabertura do “Hotel Costa”, já remodelado, com nova gerência do Hotel Miramar do Monte’Estoril. Em 1940, mais uma nova gerência é anunciada, e a partir desta não consegui saber mais nada da história do “Hotel Costa”. Apenas que depois de encerrado por muitos anos, viria a ser ocupado pelo novo Posto de Turismo, inaugurado em 13 de Junho de 1982. Lembro que o anterior, denominado “Comissão Municipal de Turismo” tinha sido inaugurado em 12 de Julho de 1962, defronte do Palácio da Vila.

“Comissão Municipal de Turismo” inaugurada em 12 de Julho de 1962

        

Posto de Turismo instalado no edifício do antigo “Hotel Costa” e inaugurado em 13 de Junho de 1982

 

fotos in: Hemeroteca Digital, Delcampe.net